INFLUÊNCIA DA MÃE SOBRE O FILHO EM GESTAÇÃO
Thomas Verny,
pediatra canadense, escreveu, em 1981, em co-autoria com John Kelly, o livro
"Á Vida
Secreta da Criança Antes de Nascer",
que despertou a atenção de especialistas em muitos países, inclusive no Brasil,
em que ressalta a influência da mãe sobre o filho em gestação. Ele enfatiza,
sobretudo, a necessidade de se estabelecer as diferenças entre as emoções
negativas passageiras, que não vão prejudicar a formação dos elos psicoafetivos
intra-uterinos da dupla e as outras mais fortes, geradas por rejeição ou por
estresse exacerbado. "O perigo
existe, quando ele (o feto) se sente rejeitado pela mãe ou quando suas
necessidades físicas ou psicológicas são sistematicamente ignoradas",
afirme ele.
Conta Verny, entre outros, o caso do bebê Kristina que lhe foi relatado pelo Dr.
Peter F. Freyberth, professor de obstetrícia e ginecologia da Universidade de
Upsala, na Suécia. Kristina era um bebê robusto e comportado que revelou um
estranho comportamento: recusava-se a mamar no seio da mãe. Aceitava mamadeira
ou o seio de outras mães, mas não aceitava de forma alguma o alimento materno. O
Dr. Peter indagando da mãe a razão de tal comportamento, recebeu um
"não sei" como resposta. Ela
dizia não saber o motivo. Quando, porém, ele foi mais incisivo na pergunta:
Mas você desejava realmente esta
gravidez? ela admitiu:
"Eu queria abortar, mas meu marido desejava esta criança, então mantive-a".
"Isto era novidade para Peter, mas
obviamente não o era para Kristina", comenta o Dr. Verny. E
acentua: "Ela havia percebido há
muito tempo a rejeição de sua mãe e recusava-se a formar a ligação com esta,
após o nascimento. Afetivamente rejeitada no útero, Kristina, com apenas quatro
dias de vida e inteiramente dependente, estava firmemente decidida a rejeitar
sua mãe." E concluiu:
"É provável que, com tempo, amor e paciência, a
mãe de Kristina ganhe, de novo, a afeição da criança. Mas esta já existiria se a
ligação tivesse sido formada antes do nascimento".
Como e quando Kristina "soube" da
rejeição? Os pesquisadores não têm ainda todas as respostas.
Sabe-se, no entanto, que, desde o zigoto, existe a comunicação fisiológica ou
biológica intensa entre os dois seres, intermediada por hormônios,
neurotransmissores, substâncias do sistema de defesa, etc.; tudo devidamente
registrado pela extraordinária capacidade de memorização do embrião, desde a
formação da célula-ovo. (Aos interessados neste novo campo de investigação da
memória, recomendamos os trabalhos da neurocientista Dra. Candace Pert, em
Maryland, EUA).
Mas essa comunicação física reflete, por sua vez, a comunicação comportamental
de ambos, porque, em última análise, não há como separar as manifestações
psicoafetivas das orgânicas.
Segundo o Dr. Veny, há ainda a considerar, na correlação psicoafetiva-espiritual
mãe-feto, a chamada "Comunicação por
Simpatia". Nesta, estão incluídos os sonhos das gestantes e
as percepções extra-sensoriais, uma vez que se sabe, desde longa data, que
muitos sonhos vivenciados pelas mulheres grávidas acabam se concretizando. Uma
equipe da Duke University, do EUA, especializada na pesquisa extra-sensorial,
vem estudando muitos desses casos há vários anos, o mesmo acontecendo com a
Associação Americana para o Progresso da Ciência (Americam
Association for the Advencement of Science), uma das
organizações científicas mais nobres e mais respeitadas do mundo, que tem
apadrinhado muitos projetos de pesquisa nessa área.
Afirma o Dr. Verny: "A criança
dispõe de um radar afetivo tão sensível que mesmo as emoções maternas menos
perceptíveis aí se registram".
É, portanto, possível afirmar que Kristina
"soube" desde o começo, isto é,
a partir do momento que sua mãe pensou em abortá-la.
Você, mamãe, que está em plena gestação ou você, que é candidata à gravidez, não
se esqueça disto: seus pensamentos são muito importantes; com eles, você
constrói seu próprio destino todos os dias e pode influenciar, para o bem ou
para o mal, o de seu filho, por toda uma vida.
Marlene
Nobre -