EMMANUEL
Emmanuel -
Emmanuel foi o inesquecível guia de Chico Xavier, durante o seu longo apostolado
mediúnico. Autor de mais de uma centena de livros de suma importância aos
interesses do Espiritismo no Brasil, prossegue arrebatando admiradores sinceros
e seguidores fiéis até os dias de hoje. Ao contrário de notícias vinculadas na
imprensa espírita, dando conta de sua reencarnação ( ! ), prossegue trabalhando,
desde o Plano Espiritual, na expansão de sua obra de evangelização espírita.
Primeira aparição de Emmanuel - Emmanuel, em seu primeiro contato com
Chico Xavier mostrou-se dentro de raios luminosos em forma de cruz e com a
aparência de um bondoso ancião. Mais tarde, captado por tintas mediúnicas,
Emmanuel revelou-se um homem ainda jovem, de belos traços, serenos e marcantes.
Instado a revelar sua identidade, esquivou-se repetidas vezes, alegando razões
particulares e respeitáveis, afirmando, porém, ter sido, na sua última passagem
pelo Planeta, padre católico (Manuel da Nóbrega), desencarnado no Brasil.
Emmanuel & Chico Xavier - Embora Chico Xavier tenha se iniciado no
Espiritismo aos 17 anos, em 7 de maio de 1927 (fonte: FEB), apenas a partir de
1931 Emmanuel passou a guiar as suas mãos, sendo para este, segundo suas
próprias palavras, "um viajante muito educado procurando domar um animal freado
e irrequieto, afim de realizar uma longa excursão". (Pinga-Fogo, Edicel).
Apesar de apontamentos seguidos sobre a rígida disciplina aplicada por Emmanuel
sobre Chico Xavier, este apenas teve sempre, sobre seu mentor, palavras de
carinho e gratidão. E uma profunda admiração também, perceptível nesta
declaração: "Solicitado para se pronunciar sobre esta ou aquela questão,
notei-lhe sempre o mais alto grau de tolerância, afabilidade e doçura, tratando
todos os problemas com o máximo respeito pela liberdade e pelas idéias dos
outros." Ou então: "Emmanuel tem sido para mim um verdadeiro pai na Vida
Espiritual, pelo carinho com que tolera as falhas, e pela bondade com que repete
as lições que devo aprender. Em todos estes anos de convívio estreito, quase
diário, ele me traçou programas e horários de estudo, nos quais a princípio até
inclui datilografia e gramática, procurando desenvolver os meus singelos
conhecimentos de curso primário, em Pedro Leopoldo, o único que fiz agora, no
terreno da instrução oficial."
Emmanuel permaneceu ao lado de Chico até suas derradeiras horas no Planeta. O
médium morreu na noite de domingo, 30 de junho, aos 92 anos, de parada cardíaca,
na cidade de Uberaba, MG, e onde passou grande parte de sua vida.
É impossível falar em Espiritismo ou em Chico Xavier, principalmente, sem
recordar este grande Espírito que ao longo de várias e laboriosas décadas,
consolidou a Doutrina Espírita no Brasil. Foi através de múltiplos ensinamentos
e mensagens, que Emmanuel popularizou a Terceira Revelação sobre o solo
brasileiro. Suas preciosas lições e incansáveis recomendações ecoam até hoje,
através de livros e lembranças, a perpetuar um trabalho de imensurável valor e
que se desenvolveu, certamente, sob a direção direita do Cristo. (©1999-2006
Instituto André Luiz - Conforme Lei dos Direitos Autorais nº 9.610, de 19.02.98)
O
SURGIMENTO DE EMMANUEL:
Conta Marcel Souto Maior, no
saboroso "As vidas de Chico Xavier" que, "o ano de 1931 foi movimentado para
Chico. E triste. Cidália morreu em março. Pouco antes de ir embora, chamou o
enteado e fez um pedido: ele deveria evitar que João Cândido se desfizesse,
novamente, dos filhos - seis dela e nove do primeiro casamento.
Ah, mãe, fique despreocupada. Eu prometo que, enquanto minha última irmã não
estiver casada, minha missão no lar
não terá acabado.
Depois da promessa, o apelo.
Não vá embora, não. Com quem vou conversar sobre minhas visões? Quem vai
acreditar em mim?
Num último esforço, Cidália o consolou.
Tenho fé de que você ainda há de encontrar aquelas pessoas do arco-íris* e elas
vão te entender mais do que eu.
Chico se sentia sozinho apesar das visitas esporádicas da mãe e das sessões no
Centro Luiz Gonzaga. Para escapar do coro dos céticos, ele arrastava os pés
pelas ruas de terra do arraial e, com os sapatos sempre frouxos, tomava o rumo
do açude. Aquele era seu refúgio. Ali, ele se encolhia à sombra de uma árvore,
na beira da represa, encarava o céu e rezava ao som das águas. Em 1931, o
bucolismo da cena deu lugar ao fantástico.
O rapaz teve sua conversa com Deus interrompida pela visita de uma cruz
luminosa. Franziu os olhos e percebeu, entre os raios, a poucos metros, a figura
de um senhor imponente, vestido com túnica típica de sacerdotes. O recém-chegado
foi direto ao assunto.
Está mesmo disposto a trabalhar na mediunidade?
- Sim, se os bons espíritos não me abandonarem.
- Você não será desamparado, mas para isso é preciso que trabalhe, estude e se
esforce no bem.
O senhor acha que estou em condições de aceitar o compromisso?
- Perfeitamente, desde que respeite os três pontos básicos para o serviço.
Diante do silêncio do desconhecido, Chico perguntou:
Qual o primeiro ponto?
A resposta veio seca:
Disciplina.
E o segundo?
Disciplina.
- E o terceiro?
Disciplina, é claro.
Chico Xavier concordou. E o estranho aproveitou a deixa:
- Temos algo a realizar. Trinta livros para começar.
O rapaz levou um susto. Como iria comprar tinta e papel? Quem pagaria a
publicação de tantos títulos? O salário de caixeiro no armazém de Felizardo mal
dava para as despesas de casa, os 13 mil-réis mensais eram gastos com catorze
irmãos; seu pai era apenas um vendedor de bilhetes de loteria.
Chico arriscou uma previsão.
Papai vai tirar a sorte grande?
O forasteiro encerrou as apostas:
- Nada, nada disso. Sorte grande mesmo é o trabalho com fé em Deus. Os livros
chegarão por caminhos inesperados.
O roteiro estava escrito. Restava ao matuto de Pedro Leopoldo seguir as
instruções. Seus passos, tropeços e quedas, muitas quedas, seriam acompanhados
de perto por aquele estranho a cada dia mais íntimo, O nome dele: Emmanuel,
o mesmo que tinha se apresentado a Carmem Perácio quatro anos antes. A missão:
guiar o rapazote e evitar que ele fugisse do script traçado no além. Chico
deveria colocar no papel as palavras ditadas pelos mortos e divulgar, por meio
do livro, a doutrina dos espíritos." (As Vidas de Chico Xavier", Marcel Souto
Maior, Edit. Planeta)
-
A equipe de Espíritos
chefiada por Emmanuel, entre eles André Luiz e o próprio Emmanuel, mais que
todos, provavelmente possui atmosfera espiritual colorida a lembrar um
arco-íris, como dizia Chico, pois de uma forma incompreensível para nós, as
imagens ilustrativas da presente atualização foram sendo adornadas
invariavelmente com um arco-íris. Podemos dizer mais: fazer isso tornou-se
algo quase irresistível, enquanto que os fundos (ou backs) pendiam sempre
para o marrom, a lembrar chão, terra. Por não compreender-lhe o motivo,
retiramos o arco-íris de quase todas ilustrações preservando apenas alguns,
mas ainda em grande número, como é possível conferir no site. (Lori,
Instituto André Luiz)
ESTILO
Além da recomendação de disciplina, para toda e qualquer situação, a segunda
mais importante orientação de Emmanuel para o médium é assim relembrada: " -
Lembro-me de que num dos primeiros contatos comigo, ele me preveniu que
pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de
tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e, disse
mais, que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de
acordo com as palavras de Jesus e de Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e
Kardec, procurando esquecê-lo."
Esse, o estilo de Emmanuel. A verdade sem rodeios.
APARÊNCIA - Em 1953, Chico estava na cabine (de materialização) quando a sala
foi iluminada por uma espécie de relâmpago. Uma aparição com quase 1,90m de
altura, porte atlético e tórax largo, entrou em cena. Trazia na mão direita,
erguida, a velha tocha acesa* (um símbolo de fé). Com voz clara, baritonada,
encheu o peito e afirmou:
- Amigos, a materialização é fenômeno que pode deslumbrar alguns companheiros e
até beneficiá-los com a cura física. Mas o livro é chuva que fertiliza lavouras
imensas, alcançando milhões de almas. Rogo aos amigos a suspensão destas
reuniões a partir desse momento.
Era ele mesmo. Emmanuel.
Chico obedeceu mais uma vez. Sua missão era o livro, era materializar idéias.
Precisava cumprir seu cronograma e entregar logo os novos trinta títulos. Ainda
faltavam dez.
A maioria dos amigos entendeu. O autor de best sellers espíritas saía das
sessões em estado de exaustão. Pálido, abatido, banhado em suor. Alguns
admiradores ficaram decepcionados. Quem sabe Chico não poderia provar, com esses
fenômenos, a existência dos espíritos? A esperança era inútil. A maioria
absoluta dos céticos duvidaria de cada foto ou de cada aparição luminosa.
OBRA DE EMMANUEL
Dentre os mais de quatrocentos livros psicografados por Chico Xavier,
cerca de 110 livros (com pouca margem de erro), pertencem unicamente a
Emmanuel. Um número considerável, que se torna gigantesco quando acrescido das
demais obras onde de uma forma ou outra ele participou, tanto com mensagens
quanto com prefácios, alguns fartos e sumamente felizes, qual o que apresenta o
livro "Libertação", de André Luiz.. Podemos dizer que, se longo foi o mandato de
Chico, incansável foi o amor e a boa vontade de Emmanuel, em traçar pra nós,
encarnados ainda em profunda necessidade, um um poderoso roteiro de luz
espiritualizante. (Instituto André Luiz)
COMO EMMANUEL COMUNICOU A CHICO O NÚMERO DE LIVROS QUE DEVERIAM ESCREVER JUNTOS:
Chico Xavier: "Depois de haver salientado a disciplina como elemento
indispensável a uma boa tarefa mediúnica, ele me disse: 'Temos algo a realizar.'
Repliquei de minha parte qual seria esse algo e o benfeitor esclareceu: 'Trinta
livros pra começar!' Considerei, então: como avaliar esta informação se somos
uma família sem maiores recursos, além do nosso próprio trabalho diário, e a
publicação de um livro demanda tanto dinheiro!... Já que meu pai lidava com
bilhetes de loteria, eu acrescentei: será que meu pai vai tirar a sorte grande?
Emmanuel respondeu: 'Nada, nada disso. A maior sorte grande é a do trabalho com
a fé viva na Providência de Deus. Os livros chegarão através de caminhos
inesperados!' Algum tempo depois, enviando as poesias de 'Parnaso de Além-
Túmulo' para um dos diretores da Federação Espírita Brasileira, tive a grata
surpresa de ver o livro aceito e publicado, em 1932. A este livro seguiram-se
outros e, em 1947, atingimos a marca dos 30 livros. Ficamos muito contentes e
perguntei ao amigo espiritual se a tarefa estava terminada. Ele, então,
considerou, sorrindo: 'Agora, começaremos uma nova série de trinta volumes!' Em
1958, indaguei-lhe novamente se o trabalho finalizara. Os 60 livros estavam
publicados e eu me encontrava quase de mudança para a cidade de Uberaba, onde
cheguei a 5 de janeiro de 1959. O grande benfeitor explicou-me, com paciência:
'Você perguntou, em Pedro Leopoldo, se a nossa tarefa estava completa e quero
informar a você que os mentores da Vida Maior, perante os quais devo também
estar disciplinado, me advertiram que nos cabe chegar ao limite de cem livros.'
Fiquei muito admirado e as tarefas prosseguiram. Quando alcançamos o número de
100 volumes publicados, voltei a consultá-lo sobre o termo de nossos
compromissos. Ele esclareceu, com bondade: 'Você não deve pensar em agir e
trabalhar com tanta pressa. Agora, estou na obrigação de dizer a você que os
mentores da Vida Superior, que nos orientam, expediram certa instrução que
determina seja a sua atual reencarnação desapropriada, em benefício da
divulgação dos princípios espíritas-cristãos, permanecendo a sua existência, do
ponto de vista físico, à disposição das entidades espirituais que possam
colaborar na execução das mensagens e livros, enquanto o seu corpo se mostre
apto para as nossas atividades.' Muito desapontado, perguntei: então devo
trabalhar na recepção de mensagens e livros do mundo espiritual até o fim da
minha vida atual? Emmanuel acentuou: 'Sim, não temos outra alternativa!'
Naturalmente, impressionado com o que ele dizia, voltei a interrogar: e se eu
não quiser, já que a Doutrina Espírita ensina que somos portadores do livre
arbítrio para decidir sobre os nossos próprios caminhos? Emmanuel, então, deu um
sorriso de benevolência paternal e me cientificou: 'A instrução a que me refiro
é semelhante a um decreto de desapropriação, quando lançado por autoridade na
Terra. Se você recusar o serviço a que me reporto, segundo creio, os
orientadores dessa obra de nos dedicarmos ao Cristianismo Redivivo, de certo que
eles terão autoridade bastante para retirar você de seu atual corpo físico!'
Quando eu ouvi sua declaração, silenciei para pensar na gravidade do assunto, e
continuo trabalhando, sem a menor expectativa de interromper ou dificultar o que
passei a chamar de 'Desígnios de Cima." ( De "O Espírita Mineiro", n. 205,
abril/junho de 1988).