A AUTOPSIA
SOB A ÓTICA ESPÍRITA
Emmanuel
recomenda-nos que se faça a cremação do corpo
76 horas após a desencarnação,
tendo em vista os casos de o espírito sofrer, com a extinção da matéria ,no
forno crematório.
Léon Denis
esclarece-nos que na cremação, (os materialistas não se dão conta disso) o
desligamento do espírito ao corpo se faz de forma mais rápida. E,
convenhamos, ninguém é cremado à revelia. Geralmente, a pessoa deixa, em vida, a
vontade de ser cremada, tal como acontece com a doação de órgãos.
Quanto à autópsia, que nem sempre é feita em corpos de pessoas que foram
desapegadas da matéria, e onde o cadaver é aberto, suas vísceras expostas para
que o médico legista execute o seu trabalho, há também a assistência da
Espiritualidade.
No livro Estante da Vida, de Irmão X,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, há uma crônica intitulada:
“Depoimento”, onde uma suicida que se envenenou no Rio de Janeiro, aos 38
anos de idade, narra todo o sofrimento que sentiu durante a autópsia de seu
corpo.
“(...) Vi-me desnuda de chofre e
tremi de vergonha. Mas a vergonha fundiu-se em terror que
passei a experimentar ao ver que dois homens moços me abriam o ventre sem
nenhuma cerimônia, embora o respeitoso silêncio com que se davam à pavorosa
tarefa”(...)
O socorro espiritual aconteceu, para a nossa irmã. A situação descrita ocorreu
devido à sua condição de suicida.
Como ela mesma diz: “Não conseguia sequer mover um dedo, mas, por motivos que
ainda não sei explicar, permaneci completamente lúcida e por muito tempo”.
Sua fé religiosa era titubeante e
ela não imaginava que fosse encontrar uma outra vida, após a morte.
Há alguns anos, assisti à retirada de um esqueleto da sepultura, no cemitério de
Vila formosa, em São Paulo, pois havia vencido o tempo estipulado para a
permanência dos ossos.
A retirada daqueles ossos da terra me deixou muito pensativa. Aquele esqueleto
era de uma pessoa que em vida era muito
vaidosa,
orgulhosa, cheia de
escrúpulos. Não bebia em
copos usados por outras pessoas, não se sentava onde alguém acabava de se
levantar, tinha verdadeira discriminação por mendigos e pessoas mais humildes,
apesar de ela não ter sido muito rica.
O coveiro começou a retirar os ossos, que eram colocados dentro de um saco de
lixo de tamanho médio.
Puz-me a pensar:
“Será que você, em vida, como tantas outras criaturas encarnadas, imaginou algum
dia que seus denominados “restos mortais” iriam terminar dentro de um saco de
lixo? Quando o coveiro segurou o crâneo da caveira eu a olhei e me lembrei da
famosa frase de Shakespeare, no seu monólogo com a caveira:
“- Porque tu ris? Porque fui como tu
és, ou porque serás como eu sou?
Façamos um aprimoramento no nossso dia-a-dia, principalmente para com as pessoas
do nosso convívio. Preparemo-nos
espiritualmente, para que em momentos como estes, o nosso
Espírito, liberto das coisas materiais, não venha a sofrer e siga adiante, no
seu caminho de libertação.
O Semeador